Segundo o relatório Estado dos Golpes no Brasil 2025, da Global Anti-Scam Alliance, quase R$190 mil são perdidos em golpes por minuto no Brasil. O levantamento aponta ainda que 77% das vítimas que perderam dinheiro denunciaram o golpe ao banco ou ao serviço de pagamento. No total, apenas 24% conseguiram recuperar pelo menos uma parte do valor.
Esses números revelam um padrão que se repete na prática: muitas vítimas recebem a primeira resposta do banco, interpretam essa resposta como encerramento do caso e não avançam. O que aconteceu com os outros casos, a pesquisa não explica. O que a atuação jurídica mostra é que boa parte dessas pessoas parou exatamente ali, na primeira resposta, sem saber que denunciar e analisar são etapas diferentes.
das vítimas que perderam dinheiro denunciaram ao banco ou serviço de pagamento. Só 24% recuperaram pelo menos uma parte do valor.
Fonte: GASA, Estado dos Golpes no Brasil 2025
Denunciar ao banco não é o mesmo que analisar o caso
A denúncia ao banco ou ao serviço de pagamento é um passo necessário. Ela tem função específica: registrar formalmente a ocorrência, acionar os mecanismos administrativos da instituição e iniciar o procedimento interno de apuração. Sem esse registro, qualquer análise posterior fica comprometida.
Mas essa etapa, por si só, não substitui a análise jurídica individualizada do caso. A resposta administrativa que o banco emite é uma resposta a um protocolo, não uma avaliação detalhada da situação específica da vítima. Ela considera critérios internos da instituição, que nem sempre coincidem com os critérios jurídicos aplicáveis ao caso concreto.
A análise começa quando o caso é examinado individualmente: o valor transferido, a data e o horário da transação, o canal utilizado, o destino dos recursos, os sinais de alerta que existiam ou deveriam existir, e o que tudo isso permite ou não sustentar juridicamente.
Por que a primeira resposta do banco quase nunca é a resposta final
A resposta administrativa inicial do banco é processada com base em sistemas automatizados e protocolos padronizados. Ela responde rápido e cobre um volume alto de ocorrências. O problema é que essa velocidade tem um custo: ela não considera os detalhes específicos de cada caso.
Num golpe bancário, o que costuma definir se existe ou não responsabilidade da instituição são justamente esses detalhes: a forma como a transação foi processada, se existiam sinais de comportamento atípico na conta, se os sistemas de prevenção à fraude funcionaram como esperado, se houve falha na confirmação de identidade do titular. Esses elementos raramente aparecem na resposta automática que o banco envia.
Os tribunais já reconheceram, em casos de fraude bancária, que a responsabilidade da instituição não se encerra com a negativa administrativa. O que decide não é a posição inicial do banco, mas a análise técnica de como a fraude aconteceu e quais obrigações a instituição tinha naquele momento.
O que muda quando o caso é analisado individualmente
Cada golpe bancário tem uma sequência de fatos própria. Dois casos com o mesmo valor e o mesmo tipo de fraude podem ter desfechos completamente diferentes dependendo de como a transação ocorreu, quais provas ficaram registradas e como o banco se comportou antes, durante e depois da operação suspeita.
É por isso que a análise individual importa. Não para criar expectativa de resultado onde não existe fundamento, mas para verificar, com base nos fatos concretos, se existe ou não algum caminho antes de concluir que acabou.
Muita gente chega com o caso “encerrado” pela resposta do banco e, ao examinar os detalhes, percebe que o encerramento foi unilateral, sem consideração adequada das circunstâncias. Isso não significa que todos os casos têm solução. Significa que a resposta administrativa não é o único critério válido para avaliar a situação.
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Conclusão
A primeira resposta do banco não é, necessariamente, a resposta final sobre o caso. Antes de concluir que não existe mais caminho, vale verificar se o caso foi de fato analisado em seus detalhes específicos, ou apenas respondido de forma padronizada.
Seu caso não é um número. É uma sequência de fatos. E é a partir dessa sequência que qualquer análise séria começa.
Conteúdo informativo. Cada caso precisa ser analisado individualmente. As informações deste artigo não constituem aconselhamento jurídico.
Fonte: Global Anti-Scam Alliance, Estado dos Golpes no Brasil 2025. O valor de R$190 mil por minuto é calculado a partir do total estimado de R$99 bilhões em perdas anuais divulgado no relatório. Disponível em gasa.org.
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